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06 Fev 2010 
          Passa da meia noite,e eu rolando pela cama,perdida entre um sim e um não,um será e um travesseiro,com músicas aleatórias no rádio [mp4 morto ao lado],uma chuva se anunciando,um vento frio,a janela aberta,alguém apitando na rua,e uma merda de sensação de dèja-vu corroendo meus olhos.
          Anoiteço heroína[sem trocadilhos =X],com estrelas nos pensamentos,mas amanheço mortal e comum a cada dia.Solidão e ilusão em uma pequena corda bamba.Não há nenhum sinal de infinito entre meus dedos,a não ser as cinzas acumuladas no parapeito da janela. A fumaça que solto de dentro de meus lábios desenha um dragão.Dragão esse que me consome.Pego as chaves do carro, acordo Graveto,pegando-o no colo,e saindo de pantufas,desço as escadas do meu prédio ,encontrando na garagem um visinho tarado e falido e o  porteiro num bate papo muito 'útil' 1h da manhã : como silicone valoriza o corpo das mulheres  e lipoaspiração também.¬¬'Idiotas.Arranco o carro e dirijo sem rumo.Graveto dorme no banco ao lado.Companhia inútil essa,nem pra conversar serve.
          As ruas nesse horário são deliciosas, calmantes.Nenhuma alma,nenhum movimento.NADA.Silêncio. Abasteço e prossigo,ainda sem rumo. Paro na praia,pra variar.O mar me chama,as ondas me chamam,meu corpo é sal e água.Chove ,e eu não ligo.Entro na marolinha,e sinto a pureza sendo sugada por minha pele. Sento na areia. A chuva se foi, o frio ficou em meus ossos. Rabisco um poema ,e fico olhando.Corro um risco louco ficando ali só,mas não me importo.
          De repente um soco de realidade me faz lembrar de coisas antigas que eu lutei muito pra 'guardar numa caixinha',e isso me faz chorar dolorosamente como uma criança. Vou ao  carro, pego cigarros[tô me matando,eu sei],e voltei a sentar no meu 'posto' na areia. O barulho das ondas afoga e abafa meu pranto que insiste em continuar rolando pelo meu rosto. Certas coisas não cicatrizam facilmente.Olho no relógio : 4:30h.Levanto,úmida ainda,mas seca por dentro.Meu gato ronrona como alguém quer diz : não seja tola,aja com a adulta que és.Ligo o rádio e escuto uma melodia que definitivamente não deveria tocar,Não naquele momento. Mas fiquei ouvindo-a.Psicologia de confronto.Aprendi com uma amiga minha que é encarando a dor que se cria resistência.
            Passo pela padaria e a dona de lá ri de meu jeito estranho : pantufas,roupa molhada, uma camiseta do pateta já meio velha, uma calça de flanela,óculos embaçados,e um cabelo muito parecido com o do Ronie Von nos tempos áureos dele de 'Príncipe'[vide : no salão].Ignoro  as risadinhas da maldita, e pego café,filtros pra cafeteira,leite, mais 'fumaça' rpos meus pulmões[é,isso é ridículo e nocivo,eu seiii],creme dental, e uma caixa de tridents. Na hora de pagar,escuto um conselho infalível de beleza da mulher-risinho: evite pijamas na rua uma hora dessas .VÁSELASCARPORRA'.Penso,e saio muda.
             Chego e a síndica me recepciona com um agradável : já tão cedo na rua?Ou nem dormiu em casa,pra variar ? [Que morra sem sexo,sua fresca dos infernos].Subo seguida por Graveto ,guardo as coisas,e me banho,louca de sono e preguiça...Mal me deito o despertador toca .É O QUÊ ? Lá vou eu ...TRABALHAR.Dormir agora,só à noite,depois da facul...mereço...


Florence · 1 vista · 0 comentários
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04 Fev 2010 
        Bem,bem.Até uma desorientada como eu mereço dar um jeito no visual de vez em quando.resolvi mudar um pouco,e lá fui,com a cabelo e a coragem[e meus parcos tostões], no salão de perto de casa.
        Cheguei lá e me senti a própria Alice no pais das Esquisitices, já que na ausência da dona do salão,quem veio muito sorridente me atender,foi uma mistura imprecisa de gnomo com troll, uma coisinha bem bizarra mesmo,que me deu os preços dos 'procedimentos cirúrgicos capilares' e foi logo me deitando numa daquelas malditas cadeiras que mais parecia saída de alguma câmara de tortura medievel de tão desconfortável que era¬¬'.Depois de me banhar 'inteira',começou a secar ,esticar,chapar,tudo isso com uma habilidade de meter medo.O.o.Eis que brota a dona do lugar, e me passa um produto muito louco nos fios,prometendo quase a beleza ETERNA com aquilo[ medo pra sempre,eu juro].O pequeno elfo/troll já estava pendurada nesse meio tempo em minhas unhas ,e num intervalo de tempo em que poderia acontecer uma hecatombe nuclear, o colorido da minha capilança foi tirado,e ele ficou abismadamente 'liso',minhas unhas criaram 'cor' ,minhas sombracelhas foram remexidas sem muitas argumentações, isso tudo ao som de um forró maldito que elfo/troll cantarolava.Sái do lugar meio zonza, com um esmalte vermelho sangue[segundo o ser mítico,combinava com meu tom de pele u.u] cobrindo as pontas dos meus dedos, um calor infernal subindo pela nuca, e a sensação de que ser dondoca não era minha praia...
          Passei na loja de conveniências e comprei uma bebida ,porque meu estoque caseiro já era findo,e a festa que ia ter lá prometiaaaaa...
          Assim,fui tomar um banho e esperar meus amigos,com algumas pizzas,sorvetes e muito alcool...

Florence · 2 vistos · 0 comentários
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03 Fev 2010 
    Pelo chá .Vapor nas lentes.lenço de caveira na cabeça.Uma criatura no pensamento.Minha vida num segmento lúdico,qual um cubo mágico.Girando,várias facetas desencontradas começam a se orientar.
   Esse cubo me fez ser extinta de alguém.Ele agora tem apenas algumas cores desordenadas,nada muito grave.
   Um calor da peste nesta cidade perdida...e eu ,dentro de um 'cubo/casa'.Queria o mar aqui.Queria meu 'coração' aqui ao meu lado.Poder lhe dizer que se quisesse tentar de novo,porquê não? Não se trata de falta de orgulho,só de viver,de reinvetar,de não pensar em'passado' mas em sintonia...
       Revista aqui,lida pela metade...eu posso viver 'pra sempre'.Não sei se quero isso.Me traria tédio.Intensidade.Aprendi a regrá-la.Insanidade.Fujo do mundo dessa forma.Sorrio só para um espelho que mostra alguém ao meu lado,muito igual ao que já fui.Paciência.Alguém terá?
       Alguém num cômodo próximo fala que tudo que vai volta.Terei meu quinhão.Se será bom ou não,só o universo dirá.Praguejando contra mim :saiba que volta 3 vezes.
       A gente vive só neste mundo,mas a gente pode ter nossos 'bens' que nos fazem bem.Tenho os meus ...
        Queria uma mão calorosa agora...tenho minha flauta, meu cachorro,me tenho...      




Florence · 2 vistos · 0 comentários
29 Jan 2010 
            'Ócio' me olhando de frente,eu pensando em alguma coisa pra fazer na madrugada ,já que tinha esgotado todas as possibilidades financeiras/criativas no dia anterior...e eis que o telefone toca :amigo convidando para irmos à praia.Olho para o relégio: meia noite.Por quê não?Vamos !
               Uma parada num posto de conveniência,um martini,um isqueiro,gelo,copos,um maço de cigarros---> praia.
                Dois loucos solitários,cantando músicas pela metade, espantando fantasmas ,elucubrando, observando mansamente o mar ali em frente.Uma ameaça de chuva,só deu mais vontade de permanecer ali, falando da vida, das vidas que cruzaram as nossas, das pessoas que nos fazem titubear, nas escolhas a tomar, nos temores e tremores...
                Uma madrugada e tanto...uma felicidade adquirida num momento tão rápido e louco,uma alegria tão súbita de ter alguém querido ali,junto, compartilhando alguns devaneios,num dia que tinha tudo igual aos outros,em que eu ficaria jogada no apartamento,lendo ou olhando pela janela,tentando adivinhar o que certas pessoas andam fazendo e pensando...
              'E foram encontrados ali,restos de sonhos e cigarros,algum punhado de gelo derrretido,gotas de martini, pegadas...no que pensavam aqueles dois seres notívagos? Ninguém jamais saberá...'

Florence · 13 vistos · 2 comentários
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26 Jan 2010 
       As coisas parecem fluir novamente : fui chamada para uma entrevista de emprego, consegui uma grana pra reformar meu carro [velho ,mas anda ainda.auhsuahs],mandei reformar também a minha poltrona que tava caindo aos pedaços, fui visitar minha mãe [ganhei um abraço e uns esticões de orelha -para de fumar,sua menina idiota !],minha irmã até perguntou como as coisas andavam ,o que no nosso caso é uma bela evolução,já que nós desde pequenas nos tratamos com uma indiferença glacial,quase que uma passa através da outra de tão insignificantes que somos uma para a outra.Mas Abgail foi 'simpática'.
         Falarei um pouco dela :
         Enquanto eu sou uma escorpiana,quente ,louca e incosequente.Aquela que chega fazendo barulho, se lasca,mas não perde a graça,Aby por sua vez,veio em dezembro,sagitariana até a alma, sacana,mais precisamente.Não desmerecendo os sagitarianos,mas eles parecem ter o dom de 'ignorar ' o que lhes desagrada,e não se apegam como os escorpianos...
         Quando eu tinha 4 anos, a minha mãe me deu um pirulito e me disse: vem uma pessoa nova pra brincar com você.Eu,radiante,pensei em alguma amiga,não em minha mãe deformando-se a cada mês,e no fim da espera frustrante, uma  coisa pequena e rosada,que chorava,soltava fluidos por quase todos os orifícios, e que chamava atenção da casa inteira ,fosse a tal 'companhia de brincadeiras '...¬¬'
        Nós nunca nos demos bem.Não mesmo.Primeiro,ela quebrou todos os meus pertences, na mesma velocidade furiosa que um furacão destrói as coisas por onde passa...Isso com apenas 2 anos.Era um inferno.Eu tinha que leva-la para a escola,e ela teimosamente se recusava a segurar minha mão,o que me rendia ao fim do dia, algumas mordidas no braço, e uns galos na cabeça dela...
        Crescemos então, entre tapas,mordidas, e chantagens na adolescência...ela sempre foi cagoeta,eu ,sempre fui 'peralta'.A sorte dela,é que minha raiva era descontada em livros, não pagava na mesma moeda.Ela levava vantagens do tipo: era estudiosa, dissimulada, era claramente mais bonita,com um cabelo castanho beirando a perfeição,lábios bem feitos  e um predisposição à sonsice digna de oscar ,que conquistava muitos garotos desde pequena.
        Nosso pai era um objeto de decoração bem interessante por assim dizer.Passava o dia fora,chegava,comia,e se aboletava no sofá.Meia hora depois,ia dormir.TODO DIA.Acho que a frase mais longa que tive com ele,nem posso dizer 'conversa' ,foi aos 14 ,quando perguntei se podia ir a uma festa e dormir na casa de uma amiga minha,[na verdade,era um pretexto para experimentar maconha ,ou fazer uma tattoo...-acabei ficando com as duas opções ].Ele se limitou a um : tá,mas volta viva.E,para não ser injusta,quando  saí de casa,e fui lhe dar adeus,ele deu uma fungada e dissse algo como : fui ausente,desculpa.E deu um conselho ,muito útil por sinal: fecha as janelas quando chover.Tudo bem...
            Voltei pra meu cafofo,pensando neles.Bizarro ser tão diferente daquele povo -será que a merda do carro vai dar prego de novo - - '?.Parei num bar, entrei e pedi uma dose de vodka,e uma de amnésia -o garçon resolveu encarar o segundo pedido como algum delírio,e foi buscar a dose -.Deixei o carro ali,e fui caminhar um pouco na rua ali perto.
             Me vi refletida  na vitrini de uma loja :uma garota pequena,com 25 anos,cabelos meio coloridos,cara irônica, jeito de 'aérea',alguns desenhos pelo corpo,só, perguntando quando outro alguém ocuparia seu coração,e se realmente iria querer isso pra ter outra 'surra' cavalar ...Hunf.Desmedida.Intensa.Enquanto eu não desse um jeito nisso,as coisas desmoronariam.Melhor ficar na minha.
            Comprei um livro ,um dvd,e voltei pra minha vida ...pensando no que fazer à noite...


Florence · 10 vistos · 1 comentário

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